Quem sou eu

Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Este blog tem o intuito de discutir elementos da formação que estamos recebendo na disciplina de técnicas interventivas, que tem a proposta de estudar o processo de amadurecimento da práxis profissional, calcada em dimensões que envolvem o tripé caracterizados como: Competência ético-política, teórico-metodológica e competência técnico-operativa. Competências que se forjam numa prática implicada com um projeto profissional que espelha um projeto de sociedade. O que são os instrumentos de trabalho do profissional de serviço social? Esses instrumentos podem ser mecanismos de aprimoramento das técnicas desenvolvidas pelo profissional? Que relação essas técnicas estabelecem com a dinâmica da realidade concreta? Como essa realidade incide na vida da população atendida pelo profissional em questão? Tentaremos levantar debates em cima dos apontamos da referência bibliográfica sugerida pela professora, bem como trazer autores que discutem a mesma temática em outras disciplinas e, que portanto, fazem parte de um conjunto de mirantes privilegiados do espaço sócio ocupacional do assistente social.

domingo, 30 de junho de 2013

Objetivo Geral

Observar o território visitado a fim de localizar expressões artísticas no meio urbano (especificamente nas ruas), bem como os entraves existentes para seu desempenho, (condições estruturais) e intervir na tentativa de viabilizar o caminho da construção dessas condições.

Objetivos específicos:

Conhecer o espaço ocupado pelos artistas de rua e suas rotinas; Contribuir para socialização do trabalho realizado por esses artistas; Subsidiar a aproximação e apropriação dos artistas de rua, bem como dos demais frequentadores, às instalações culturais presentes naquele território; na perspectiva de fortalecer o debate sobre o acesso à cultura popular e, para os artistas de rua sobre o acesso à cidade.

Projeto:

Nossos interlocutores são artistas (de rua ou não), pessoas que freqüentam o espaço observado, variados setores da sociedade civil como ong’s, associação de moradores, comerciantes, gestores da política pública, bem como pessoas que vivenciam o cotidiano da arte nas ruas.
Nossa equipe tem sua origem na ideia de um projeto que se tornaria piloto numa escola de teatro conhecida na Cidade. Gostaríamos de ter a pretensão de tornar-se um projeto piloto e fosse interesse do Governo do Estado, implementado na Secretaria de Cultura e Lazer, mas não acreditamos que seja de interesse. Entretanto, tentaremos.
A equipe é composta por assistentes sociais, pedagogos, psicólogos, um produtor cultural, um profissional da comunicação e um historiador. Contamos, ainda, com a colaboração de um amigo pesquisador de planejamento urbano do Movimento Nacional de Reforma Urbana.
Esta equipe almeja trabalhar, inicialmente através de pesquisa direta com cidadãos comuns, empresas financiadoras (públicas e privadas) e possíveis parceiros encontrados durante o percurso social realizado, acreditando que o acúmulo da realidade daquele espaço precipita o rigor e sucesso metodológico para o fim de construir, como aponta Guerra (2010), “propostas de intervenção sócio-políticas e profissionais competentes e comprometidas com a direção social do projeto profissional hegemônico do Serviço Social”. Projeto este que valoriza respostas em atividades que objetivem e materializem as ações norteadas por princípios e valores éticos políticos contidos em nosso código de ética, aqueles que possam dinamizar e ampliar direitos cidadãos.
Para estabelecer relacionamento com estes atores realizaremos pesquisa corpo a corpo com os artistas e entrevistas semi-estruturadas com estes e apreciadores ocasionais, aqueles que repentinamente encontram os artistas populares, também tentaremos fazer interlocução com os movimentos sociais militantes pela arte popular.
Nosso historiador fez um levantamento nos registros oficiais de artistas mais conhecidos da Lapa e localizou muitos exemplos de personagens simbolizados no samba de roda, na capoeira, no chorinho, na pintura e artes plásticas, no artesanato, igualmente.
Em nosso levantamento, acreditamos poder desvelar, não sem propósito, contido no imaginário do senso-comum, o mito do sujeito desviante que artista popular e moradores da rua carregam desde sempre. Irônico e provocador, João do Rio (1908), detona em seu livro “A alma encantadora das ruas” que: “A metade desse bando conhece as leis do prefeito, os delegados de polícia e acompanha o movimento da política indígena”. São eles, os que jogam bolinhas de tênis no “sinal”, os hippies, os palhaços, os engolidores de fogo e demais expressões criminalizadas historicamente pelo poder formal-legal do Estado e pela sociedade civil como um todo. Essas pessoas vivenciaram e vivenciam um longo processo de reformas urbanas. Reformas estas implementadas na Cidade desde 1902, com o engenheiro Pereira Passos e seu projeto arquitetônico de modernização e higienização da cidade carioca, capital naquele momento. Nos tempos mais atuais, outras reformas foram realizadas como as mais recentes ações da Secretaria Estadual de Ordem Pública (SEOP), em 2009. Foram realizadas ações pelo Estado e Municípios a partir de algumas leis como a 1.876/92 (sofreu alterações em 2010, 2013 e previstas alterações para 2016), que estabelece regulamentações diante dos trabalhadores informais. Um dos autores estudados por nosso historiador aponta que:

A história do Rio de Janeiro é uma história de segregação, de exclusão. Quando uma realidade social já trágica se depara com tragédias do porte da que ocorreu em março deste ano, é inevitável perguntar: há lugar para a esperança? Num cenário em que a omissão estatal é a tônica, qualquer resposta positiva a essa questão deve passar pela organização e luta de uma população que chame o Estado a assumir suas responsabilidades sociais, secularmente ignoradas” (Albergaria, 2010)

Nossa intervenção, a partir das histórias narradas e apreensões geradas na equipe, foi pensada da seguinte maneira: ao findarmos o levantamento do território e as histórias dos variados atores sociais, elaboraremos uma espécie de “chamado para toda a sociedade”, para que conheçam os artistas a partir de eventos realizados embaixo dos arcos da Lapa, Aqueduto da Carioca, símbolo nacional. Os artistas e qualquer pessoa que esteja interessada e ache possível apresentar uma sistematização de um trabalho de arte, dariam oficinas para os transeuntes, bem como para os agentes de segurança do Município e do Estado. Esta foi a nossa mais preciosa parceria. Durante o período de reforma urbana, pois muitos grupos foram retirados das praças e locais de grande visibilidade, onde desempanhavam seus trabalhos sem que fosse possível impedir a ação da prefeitura e do Governo do Estado. Crianças e adolescentes foram levados para abrigos, idosos trabalhadores informais foram criminalizados pressupostamente pelo poder público. Retaliando e violando uma série de direitos humanos, bem como o direito à cidade, o direito de ir e vir desses cidadãos. Nossa equipe corrobora com conceitos dos quais o profissional de Serviço Social se compromete. Estabelecemos uma parceria de comprometimento ético-político previsto no Código de Ética Profissional dos Assistentes Sociais (1993), que fundam valores democráticos e humanistas da participação política, liberdade, igualdade e justiça social – e nos valores de cidadania.
As oficinas e encontros consistiram em não só tornar conhecida a expressão de arte da rua, como trazer à tona dilemas sobre direitos civis, políticos, sociais e econômicos participação na construção da sociedade.
Além das oficinas de arte, ofereceremos diversas atividades como orientação pedagógica, música, teatro, capoeira, horticultura e oficinas de jogos e brincadeiras. Crianças e adolescentes são o principal alvo.


Bibliografia:

Albergaria. Danilo: Motivações e Consequencias sociais das reformas urbanas no Rio. Revista Com Ciência 118 – Campinas – 2010

Rio João do: “A alma encantadora das ruas” -1908

Fórum Nacional de Reforma Urbana:

SEOP – Secretaria Estadual de Ordem Pública: http://www.rio.rj.gov.br/web/seop/exibeconteudo?article-id=1740822

SMU – Secretaria Municipal de Urbanismo (Áreas de Especial Interesse Social (AIES): http://www.rio.rj.gov.br/web/smu/listaconteudo?search-type=planejamento

CFESS/ABEPSS/CEAD: Capacitação em Serviço Social e Política Social Intervenção e Pesquisa em Serviço Social – Brasília – UnB: 2010


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