Quem sou eu

Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Este blog tem o intuito de discutir elementos da formação que estamos recebendo na disciplina de técnicas interventivas, que tem a proposta de estudar o processo de amadurecimento da práxis profissional, calcada em dimensões que envolvem o tripé caracterizados como: Competência ético-política, teórico-metodológica e competência técnico-operativa. Competências que se forjam numa prática implicada com um projeto profissional que espelha um projeto de sociedade. O que são os instrumentos de trabalho do profissional de serviço social? Esses instrumentos podem ser mecanismos de aprimoramento das técnicas desenvolvidas pelo profissional? Que relação essas técnicas estabelecem com a dinâmica da realidade concreta? Como essa realidade incide na vida da população atendida pelo profissional em questão? Tentaremos levantar debates em cima dos apontamos da referência bibliográfica sugerida pela professora, bem como trazer autores que discutem a mesma temática em outras disciplinas e, que portanto, fazem parte de um conjunto de mirantes privilegiados do espaço sócio ocupacional do assistente social.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Lapa também é cultura

    Em saída de campo fizemos uma observação para conhecermos um pouco mais sobre alguns bairros tradicionais do Rio de janeiro, fizemos o trajeto do bairro do Largo do machado e fomos até a Lapa. E escolhemos esse ultimo para trabalhar.

     O bairro da Lapa é um dos mais tradicionais da cidade. Tem um Aqueduto do tempo colonial, maior obra arquitetônica da Época. Aqueduto da Carioca, é o nome original. Nossa observação iniciou com uma caminhada pelas ruas principais Riachuelo e Mem de Sá cruzando os Arcos da lapa, onde embaixo há um extenso espaço em que acontecem apresentações de grupos de samba de raiz e samba enredo, sempre tem ali alguma manifestação artística.

     A Lapa possui diversos bares e restaurantes, além de casas noturnas e centros culturais, onde frequentam pessoas vindas do mundo inteiro, é possível encontrar pessoas de variadas formações, trabalhadores informais, artistas de rua, artesãos, muitos conhecidos como "maluco", nome dado à nova geração de hippies que trançam palhas e fazem narguelês com vidro e durepox..

     O bairro tem características interessantes e paradoxais. Suas memórias são constituídas de personagens históricos que, em sua época foram segregados, perseguidos, criminalizados e muitos  foram exterminados pela moda da época. Existem personagens que simbolizam o apogeu conquistado nas mídias e cinema, como por exemplo Madame Satã (João Francisco dos Santos Sant´Anna). A inversão da apresentação de seu nome não é equívoco. João Francisco praticamente não existiu, Madame Satã foi quem imortalizou o artista, malandro, gingador de capoeira, Lapeiro por excelência. Mas enfim, não é só a figura dele que nos remete a Lapa, embora seja a mais conhecida e especial entre os cariocas da boemia. A Lapa e seu entorno passaram por históricas reformas, isso é o que se pode apreender quando observamos a arquitetura do prédios antigos e a modernidade dos restaurantes recém inaugurados. Poucos personagens podem ser encontrados nas ruas, os chamados ambulantes são hoje todos cadastrados pela prefeitura, usam uniformes, não portam mais a aparência diversificada que chamou a atenção de muitas celebridades importantes do passado já remoto. Padronizou-se o homem, as ruas, as atrações. Os negros já não tocam chorinho pelas esquinas, seus sax. Os frequentadores não são mais, apenas os malandros e perigosos moradores dos cortiços. Trabalhadores quase aniquilados pelos governos que sequencialmente tentaram eliminá-los.
       O bairro não se parece mesmo com quase nada que ouvimos dos antigos frequentadores. Há uma guarita da Polícia Militar numa das esquinas mais conhecidas, Rua dos Arcos, onde se localiza uma de suas casas culturais mais famosas, patrimônio Histórico fundada no fim do século XIX e que foi fechada em 1976. Uma coisa é ainda visível na Lapa, uma diversidade humana muito grande de Raça, sexo, gênero,e geração. Muitos trabalhadores, muitas "patricinhas", muitos funkeiros ainda circulam por ali. Observamos que as "tribos" ocupam ainda o espaço, mas que diminuíram muito em expressão. Muitos flanelinhas nas ruas, muitos taxistas, ainda transitam ali travestis e prostitutas.
       A Lapa dá acesso ao bairro da Glória, Catete, Santa Teresa. Os transportes públicos que dão acesso ao bairro são basicamente ônibus e metrô. Este último tem horário restrito. O Aqueduto da Carioca, Arcos da Lapa era a base que levava o bonde até Santa Teresa, bairro também histórico, turístico, cultural, de moradores envolvidos com a arte e a natureza. Lugar também de lindas e marcantes histórias no cotidiano carioca. Hoje encontra-se desativado por conta de acidente com mortos e muitos feridos, ocorrido no ano de 2012 por falta de manutenção e não conservação do patrimônio.
     À rua Riachuelo fica localizada uma famosa sala Cecília Meireles, antiga Casa de Concertos. O nome da Casa é homenagem à uma poetisa carioca e apaixonada por pianos, Cecília Benevides de Carvalho Meireles. No momento, encontra-se em processo de revitalização, existem ainda, vários casarões da burguesia que viraram cortiços ou espaços noturnos - prédios antigos sendo apropriados pelo comércio. Alguns prédios foram tombados pelo patrimônio público, imaginamos que, com isso, exista uma valorização do espaço aumentando assim a especulação imobiliária do local, o que chegamos a confirmar em conversa informal com um dono de bar. E, na conversa, fala sobre a política de remoção da população em situação de rua, "esses moradores de rua, cedo ou tarde acabam voltando". É fácil encontrá-los aos arredores do bairro. Essa é uma política higienista que os bairros próximo à mais cara zona sul sofrem recorrentemente no Rio de Janeiro, bem como em outras grandes metrópoles do mundo. Discussão muito pertinente nos últimos tempos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário