Objetivo
Geral
Observar o território visitado a fim
de localizar expressões artísticas no meio urbano (especificamente
nas ruas), bem como os entraves existentes para seu desempenho,
(condições estruturais) e intervir na tentativa de viabilizar o
caminho da construção dessas condições.
Objetivos
específicos:
Conhecer o espaço ocupado pelos
artistas de rua e suas rotinas; Contribuir para socialização do
trabalho realizado por esses artistas; Subsidiar a aproximação e
apropriação dos artistas de rua, bem como dos demais
frequentadores, às instalações culturais presentes naquele
território; na perspectiva de fortalecer o debate sobre o acesso à
cultura popular e, para os artistas de rua sobre o acesso à cidade.
Projeto:
Nossos interlocutores são artistas
(de rua ou não), pessoas que freqüentam o espaço observado,
variados setores da sociedade civil como ong’s, associação de
moradores, comerciantes, gestores da política pública, bem como
pessoas que vivenciam o cotidiano da arte nas ruas.
Nossa equipe tem sua origem na ideia
de um projeto que se tornaria piloto numa escola de teatro conhecida
na Cidade. Gostaríamos de ter a pretensão de tornar-se um projeto
piloto e fosse interesse do Governo do Estado, implementado na
Secretaria de Cultura e Lazer, mas não acreditamos que seja de
interesse. Entretanto, tentaremos.
A equipe é composta por assistentes
sociais, pedagogos, psicólogos, um produtor cultural, um
profissional da comunicação e um historiador. Contamos, ainda, com
a colaboração de um amigo pesquisador de planejamento urbano do
Movimento Nacional de Reforma Urbana.
Esta equipe almeja trabalhar,
inicialmente através de pesquisa direta com cidadãos comuns,
empresas financiadoras (públicas e privadas) e possíveis parceiros
encontrados durante o percurso social realizado, acreditando que o
acúmulo da realidade daquele espaço precipita o rigor e sucesso
metodológico para o fim de construir, como aponta Guerra (2010),
“propostas de intervenção sócio-políticas e profissionais
competentes e comprometidas com a direção social do projeto
profissional hegemônico do Serviço Social”. Projeto este que
valoriza respostas em atividades que objetivem e materializem as
ações norteadas por princípios e valores éticos políticos
contidos em nosso código de ética, aqueles que possam dinamizar e
ampliar direitos cidadãos.
Para estabelecer relacionamento com
estes atores realizaremos pesquisa corpo a corpo com os artistas e
entrevistas semi-estruturadas com estes e apreciadores ocasionais,
aqueles que repentinamente encontram os artistas populares, também
tentaremos fazer interlocução com os movimentos sociais militantes
pela arte popular.
Nosso historiador fez um levantamento
nos registros oficiais de artistas mais conhecidos da Lapa e
localizou muitos exemplos de personagens simbolizados no samba de
roda, na capoeira, no chorinho, na pintura e artes plásticas, no
artesanato, igualmente.
Em nosso levantamento, acreditamos
poder desvelar, não sem propósito, contido no imaginário do
senso-comum, o mito do sujeito desviante que artista popular e
moradores da rua carregam desde sempre. Irônico e provocador, João
do Rio (1908), detona em seu livro “A alma encantadora das ruas”
que: “A
metade desse bando conhece as leis do prefeito, os delegados de
polícia e acompanha o movimento da política indígena”.
São eles, os que jogam bolinhas de tênis no “sinal”, os
hippies, os palhaços, os engolidores de fogo e demais expressões
criminalizadas historicamente pelo poder formal-legal do Estado e
pela sociedade civil como um todo. Essas pessoas vivenciaram e
vivenciam um longo processo de reformas urbanas. Reformas estas
implementadas na Cidade desde 1902, com o engenheiro Pereira Passos e
seu projeto arquitetônico de modernização e higienização da
cidade carioca, capital naquele momento. Nos tempos mais atuais,
outras reformas foram realizadas como as mais recentes ações da
Secretaria Estadual de Ordem Pública (SEOP), em 2009. Foram
realizadas ações pelo Estado e Municípios a partir de algumas leis
como a 1.876/92 (sofreu alterações em 2010, 2013 e previstas
alterações para 2016), que estabelece regulamentações diante dos
trabalhadores informais. Um dos autores estudados por nosso
historiador aponta que:
“A
história do Rio de Janeiro é uma história de segregação, de
exclusão. Quando uma realidade social já trágica se depara com
tragédias do porte da que ocorreu em março deste ano, é inevitável
perguntar: há lugar para a esperança? Num cenário em que a omissão
estatal é a tônica, qualquer resposta positiva a essa questão deve
passar pela organização e luta de uma população que chame o
Estado a assumir suas responsabilidades sociais, secularmente
ignoradas” (Albergaria, 2010)
Nossa intervenção, a partir das
histórias narradas e apreensões geradas na equipe, foi pensada da
seguinte maneira: ao findarmos o levantamento do território e as
histórias dos variados atores sociais, elaboraremos uma espécie de
“chamado para toda a sociedade”, para que conheçam os
artistas a partir de eventos realizados embaixo dos arcos da Lapa,
Aqueduto da Carioca, símbolo nacional. Os artistas e qualquer pessoa
que esteja interessada e ache possível apresentar uma sistematização
de um trabalho de arte, dariam oficinas para os transeuntes, bem como
para os agentes de segurança do Município e do Estado. Esta foi a
nossa mais preciosa parceria. Durante o período de reforma urbana,
pois muitos grupos foram retirados das praças e locais de grande
visibilidade, onde desempanhavam seus trabalhos sem que fosse
possível impedir a ação da prefeitura e do Governo do Estado.
Crianças e adolescentes foram levados para abrigos, idosos
trabalhadores informais foram criminalizados pressupostamente pelo
poder público. Retaliando e violando uma série de direitos humanos,
bem como o direito à cidade, o direito de ir e vir desses cidadãos.
Nossa equipe corrobora com conceitos dos quais o profissional de
Serviço Social se compromete. Estabelecemos uma parceria de
comprometimento ético-político previsto no Código de Ética
Profissional dos Assistentes Sociais (1993), que fundam valores
democráticos e humanistas da participação política, liberdade,
igualdade e justiça social – e nos valores de cidadania.
As oficinas e encontros consistiram em
não só tornar conhecida a expressão de arte da rua, como trazer à
tona dilemas sobre direitos civis, políticos, sociais e econômicos
participação na construção da sociedade.
Além
das oficinas de arte, ofereceremos
diversas atividades como orientação pedagógica, música, teatro,
capoeira, horticultura e oficinas de jogos e brincadeiras. Crianças
e adolescentes são
o principal alvo.
Bibliografia:
Albergaria. Danilo: Motivações e
Consequencias sociais das reformas urbanas no Rio. Revista Com
Ciência 118 – Campinas – 2010
Rio João do: “A alma encantadora
das ruas” -1908
Fórum
Nacional de Reforma Urbana:
SEOP
– Secretaria Estadual de Ordem Pública:
http://www.rio.rj.gov.br/web/seop/exibeconteudo?article-id=1740822
SMU
– Secretaria Municipal de Urbanismo (Áreas de Especial Interesse
Social (AIES):
http://www.rio.rj.gov.br/web/smu/listaconteudo?search-type=planejamento
CFESS/ABEPSS/CEAD:
Capacitação em Serviço Social e Política Social Intervenção e
Pesquisa em Serviço Social – Brasília – UnB: 2010